2 Reis Capítulo 17

Bíblia Jesus Deus Espírito©
E se a paciência infinita de Deus finalmente se esgotasse?

2 Reis Capítulo 17 – A Queda do Reino do Norte, o Exílio e a Origem dos Samaritanos

Objetivo do Capítulo

O que acontece quando uma nação escolhe brincar com a aliança de Deus durante centenas de anos? Ao iniciarmos o estudo de 2 Reis Capítulo 17, chegamos ao evento mais catastrófico da história de Israel até o momento: a completa destruição e o exílio do Reino do Norte (as dez tribos). Não há mais milagres de última hora; o relógio do juízo bateu à meia-noite.

Neste estudo trágico e teológico de 2 Reis Capítulo 17, veremos a queda da cidade de Samaria pelas mãos da Assíria e a deportação em massa do povo de Deus. Lendo 2 Reis Capítulo 17, a Bíblia vai pausar a narrativa para listar, como uma verdadeira certidão de culpa, todos os pecados que levaram Israel ao colapso. Além disso, entenderemos a origem do povo samaritano (com quem os judeus teriam inimizade nos tempos de Jesus). Prepare-se para aprender que a desobediência obstinada transforma a proteção de Deus em juízo, e que uma fé misturada com o mundo nunca será aceita pelo Senhor!

Versículos

A Queda de Samaria e o Exílio

1 No décimo segundo ano de Acaz, rei de Judá, Oseias, filho de Elá, começou a reinar em Samaria sobre Israel. Ele reinou nove anos.

2 Ele fez o que era mau à vista do Senhor, embora não tenha sido tão perverso quanto os reis de Israel que o antecederam.

3 O poderoso Salmaneser, rei da Assíria, marchou contra ele. Oseias tornou-se vassalo (servo) dele e passou a pagar-lhe tributo (impostos).

4 Mas o rei da Assíria descobriu que Oseias estava conspirando: ele havia enviado mensageiros a Sô, rei do Egito (buscando uma aliança secreta contra a Assíria), e não enviou o tributo anual ao rei da Assíria. Por causa dessa traição, o rei assírio mandou prender Oseias e trancou-o na prisão.

5 Então, o exército do rei da Assíria invadiu todo o país e marchou contra Samaria, cercando a capital durante três longos e angustiantes anos.

6 No nono ano de Oseias, o rei da Assíria tomou a cidade de Samaria e deportou os israelitas (as dez tribos) para a Assíria. Ele os espalhou em cidades distantes: Hala, junto ao rio Habor (em Gozã), e nas cidades dos medos. (Fim do Reino do Norte).

A Certidão de Culpa: Por que Israel Caiu?

7 Tudo isso aconteceu porque os filhos de Israel pecaram gravemente contra o Senhor, seu Deus, que os havia libertado do Egito, das mãos do Faraó. Eles temeram outros deuses,

8 e andaram segundo os costumes das nações pagãs que o Senhor havia expulsado de diante deles, além de seguirem as práticas criadas pelos próprios reis de Israel.

9 Os israelitas fizeram secretamente contra o Senhor, seu Deus, coisas que não eram retas: construíram altares (lugares altos) em todas as suas cidades, desde a menor torre de vigia até a maior cidade fortificada.

10 Levantaram colunas sagradas e postes-ídolos (bosques para a deusa Aserá) em todas as colinas altas e debaixo de toda árvore frondosa.

11 Ali, em todos os lugares altos, queimaram incenso como faziam as nações pagãs que o Senhor havia expulsado. Praticaram ações malignas que provocaram a ira do Senhor,

12 e serviram aos ídolos, sendo que o Senhor lhes tinha dito claramente: “Não façam isso!”

13 O Senhor os advertiu repetidas vezes, por meio de todos os Seus profetas e videntes, dizendo: “Voltem dos seus maus caminhos! Guardem os Meus mandamentos e estatutos, segundo toda a Lei que ordenei aos seus pais e que entreguei por meio dos profetas.”

14 Contudo, eles não quiseram ouvir e foram teimosos (endureceram o pescoço), exatamente como os seus antepassados, que não creram no Senhor, seu Deus.

15 Eles rejeitaram os Seus estatutos, desprezaram a aliança feita com os seus pais e ignoraram os avisos. Foram atrás de ídolos inúteis e tornaram-se eles próprios inúteis, imitando as nações vizinhas, desobedecendo à ordem direta de Deus.

16 Abandonaram todos os mandamentos do Senhor e fizeram para si ídolos de metal derretido (dois bezerros), postes sagrados, adoraram os astros do céu (estrelas) e serviram a Baal.

17 Eles até mesmo sacrificaram (passaram pelo fogo) os seus próprios filhos e filhas, praticaram adivinhação e feitiçaria, e venderam-se para fazer o que era mau aos olhos do Senhor, provocando a Sua ira profunda.

18 Portanto, o Senhor irou-se muito contra Israel e os removeu da Sua presença. Só restou a tribo de Judá (o Reino do Sul).

19 (Mas nem mesmo Judá guardou os mandamentos do Senhor, pois também começaram a imitar as péssimas práticas que Israel havia inventado).

20 Então o Senhor rejeitou todos os descendentes de Israel (o Norte). Ele os afligiu e os entregou nas mãos de saqueadores, até expulsá-los definitivamente da Sua presença.

21 Porque, desde que Deus havia rasgado o reino tirando-o da Casa de Davi, eles colocaram Jeroboão, filho de Nebate, como rei. E Jeroboão desviou Israel de seguir o Senhor, fazendo a nação cometer um pecado gigantesco.

22 Os israelitas continuaram a cometer todos os pecados de Jeroboão e não se afastaram deles,

23 até que o Senhor finalmente os removeu da Sua presença, exatamente como havia avisado por meio de todos os profetas. Assim, Israel foi exilado da sua própria terra para a Assíria, onde estão até o dia de hoje.

O Nascimento do Povo Samaritano

24 Para ocupar o vazio, o rei da Assíria trouxe povos estrangeiros (da Babilônia, de Cuta, Ava, Hamate e Sefarvaim) e os colocou nas cidades de Samaria, no lugar dos israelitas deportados. Eles tomaram posse de Samaria e passaram a morar ali.

25 Mas, logo no início da sua habitação, esses estrangeiros não temiam o Senhor. Por isso, o Senhor enviou leões para o meio deles, que começaram a matar muita gente.

26 Eles reclamaram ao rei da Assíria: “As nações que o senhor deportou para Samaria não conhecem as regras (os costumes) do Deus daquela terra! Por isso Ele mandou leões que os estão devorando.”

27 Então o rei da Assíria ordenou: “Levem de volta para lá um dos sacerdotes israelitas que trouxemos como prisioneiros. Deixem-no morar lá para ensinar ao povo como agradar ao Deus daquela terra.”

28 Um dos sacerdotes de Israel voltou do exílio, foi morar em Betel e começou a ensinar-lhes como eles deveriam temer ao Senhor.

29 Todavia, cada nação continuou fabricando os seus próprios deuses e colocando-os nos altares dos lugares altos que os samaritanos originais haviam construído.

30 Os homens de Babilônia fizeram Sucote-Benote, os de Cuta fizeram Nergal, os de Hamate fizeram Asima;

31 os aveus fizeram Nibaz e Tartaque, e os sefarvitas queimavam os seus próprios filhos no fogo para Adrameleque e Anameleque, os seus falsos deuses.

32 Eles temiam ao Senhor (como um Deus local), mas continuavam servindo aos seus próprios deuses! Fizeram para si sacerdotes retirados do meio do povo comum para oficiarem nos lugares altos.

33 Eles adoravam ao Senhor, mas ao mesmo tempo adoravam aos seus deuses de origem (um sincretismo religioso brutal).

34 E eles mantêm esse costume confuso até o dia de hoje. Eles não temem verdadeiramente ao Senhor, pois não obedecem à Lei e aos mandamentos que Deus entregou aos filhos de Jacó.

35 Deus havia feito uma aliança clara com Israel, dizendo: “Vocês não temerão a outros deuses, nem se curvarão a eles, nem os servirão!

36 “Pelo contrário, adorarão apenas ao Senhor, que os tirou do Egito com grande poder! A Ele vocês temerão e oferecerão sacrifícios.”

37 “Os mandamentos e a Lei que Ele vos escreveu, vocês deverão obedecer para sempre!”

38 “Não se esqueçam da aliança que fiz com vocês!”

39 “Temam apenas ao Senhor, o vosso Deus, e Ele os livrará de todos os inimigos.”

40 Mas eles não ouviram e continuaram nas suas velhas práticas.

41 Assim, aquelas nações (os novos samaritanos) fingiam temer ao Senhor, mas continuavam a adorar os seus ídolos esculpidos. E os seus filhos e netos continuam a fazer exatamente a mesma mistura que os seus pais faziam.

Notas Explicativas

O exílio forçado pela Assíria (v. 6) não foi apenas uma derrota militar; foi a “des-criação” da nação. A Assíria usava o deslocamento em massa para quebrar o espírito nacional das pessoas. Tiraram os israelitas das suas terras férteis e espalharam-nos pelas montanhas da Média (Irã moderno). Essas dez tribos nunca mais voltaram a formar uma nação unida, ficando conhecidas na história como as “Dez Tribos Perdidas de Israel”.

Os leões no versículo 25 mostram que, na mentalidade do Antigo Oriente, as divindades eram territoriais. Os assírios achavam que Yahweh estava “irritado” porque novos inquilinos entraram na Sua terra e não pagavam o “aluguel religioso” de Lhe prestar culto. A solução assíria não foi a conversão de coração, mas apenas o envio de um padre para ensinar os rituais básicos para acalmar a divindade local.

Palavras-Chave no Original

O hebraico em 2 Reis Capítulo 17 expõe a raiz da teimosia humana e o limite da tolerância de Deus:

  • Quashah (קָשָׁה): Traduzida como “Endureceram (o pescoço)” (v. 14). Uma metáfora rural. Descreve o boi teimoso que enrijece o pescoço e se recusa a obedecer à canga do lavrador. Deus tentou guiar Israel com profetas, mas eles travaram o pescoço na direção do pecado.
  • Hevel (הֶבֶל): Traduzida como “Vaidade / Inúteis” (v. 15). Literalmente significa “sopro”, “fumaça” ou “nada”. Eles seguiram deuses que não eram nada (fumaça) e, consequentemente, a própria identidade da nação virou “nada”, sendo soprada pelo vento do exílio.
  • Yare (יָרֵא): Traduzida como “Temiam / Temer” (v. 32, 33, 34). O autor faz um jogo irônico com esta palavra. O texto diz que eles temiam ao Senhor (tinham medo dos leões), mas no v. 34 conclui que eles não temiam verdadeiramente a Deus (não tinham reverência exclusiva nem amor aos Seus mandamentos). O medo da punição não é o mesmo que o temor de adoração.

Comentário

A mensagem central de 2 Reis Capítulo 17 é que Deus é longânime, mas a Sua paciência tem um limite. Israel durou mais de 200 anos como Reino do Norte. Tiveram 19 reis, e todos eles, sem exceção, foram maus. Deus enviou gigantes como Elias, Eliseu, Amós e Oseias, mas eles ignoraram todos os avisos. A queda de Samaria não foi culpa da superioridade militar assíria; foi o colapso interno provocado pela rejeição da Palavra de Deus. A Assíria foi apenas o martelo na mão de um Deus que estava cansado de ser traído.

Lendo 2 Reis Capítulo 17, a parte mais perturbadora é o sincretismo dos samaritanos no final do capítulo (v. 33: “Temiam ao Senhor e serviam aos seus próprios deuses”). Eles misturaram Yahweh com deuses pagãos. Eles queriam os benefícios do Deus de Israel (proteção contra os leões), mas sem abandonar os seus ídolos de estimação. Esta é a religião mais perigosa de todas: aquela que coloca o nome de Deus na fachada, mas o mundo na sala de estar.

Estudo Aprofundado

O colapso relatado em 2 Reis Capítulo 17 é o evento divisor de águas da história bíblica, confirmado por descobertas arqueológicas incríveis:

  1. Os Anais de Sargão II (Arqueologia Babilônica)
    • A Bíblia diz que Salmaneser começou o cerco, mas ele morreu antes que a cidade caísse. Quem tomou a cidade (o “rei da Assíria” do v. 6) foi o seu sucessor, Sargão II. Os arqueólogos descobriram os Prismas de Sargão II, onde o próprio rei assírio se gaba: “Eu sitiei e conquistei Samaria (Sa-me-ri-na). Levei como despojo 27.290 dos seus habitantes… e instalei ali gentes de terras que eu havia conquistado”. O orgulho assírio confirma perfeitamente cada detalhe da deportação narrada nas Escrituras.
  2. A Lista Macabra de Pecados (A Justificativa Teológica)
    • Os versículos 7 a 23 não são apenas história; são uma “Ação de Despejo” divina. O autor bíblico quer deixar claro que Deus não falhou em proteger Israel; foi Israel que quebrou as cláusulas do contrato. Eles fizeram do bezerro de ouro o seu símbolo nacional (v. 16), o que significa que reescreveram a sua história de salvação para caber no próprio bolso, adoraram a natureza em vez do Criador e, por fim, chegaram ao genocídio religioso (sacrifício de crianças, v. 17). O exílio não foi uma vingança aleatória, mas a justa rescisão de uma aliança estuprada.
  3. A Origem da Inimizade Samaritana (Novo Testamento)
    • Este capítulo é a resposta histórica para a pergunta que lemos no Novo Testamento: “Por que os judeus não se dão com os samaritanos?” (João 4:9). Os habitantes que ficaram no Norte, misturados com os colonos pagãos trazidos pela Assíria, criaram uma religião híbrida (sincretismo). Para os judeus (do Sul, que sofreriam o exílio mais tarde, mas manteriam a pureza da fé babilônica), os samaritanos eram “hereges de sangue misto” e a sua religião era uma abominação poluída. O capítulo 17 explica séculos de ódio racial e religioso que só Jesus conseguiria curar no poço de Jacó.

Aplicação Pessoal

A tragédia nacional de 2 Reis Capítulo 17 carrega avisos aterrorizantes e cruciais para a Igreja de hoje:

  1. Não confunda a paciência de Deus com a aprovação de Deus: Israel pecou durante dois séculos e a nação continuava de pé, então eles achavam que Deus não se importava. Errado! Deus tolera o pecado por muito tempo para lhe dar a chance de se arrepender, mas a conta um dia chega. Se você está brincando com o pecado oculto e nada de mau lhe aconteceu ainda, não se iluda: mude de vida antes que o “exílio” caia sobre a sua casa!
  2. Abandone a Religião “Híbrida”: O retrato mais triste do final do capítulo é a religião de Samaria: “Temiam a Deus, mas serviam aos seus ídolos”. Você frequenta a igreja ao domingo (teme a Deus), mas serve ao dinheiro, à imoralidade, à fofoca ou a ideologias de segunda a sábado? A adoração dividida é considerada rejeição por Deus. Ele não aceita dividir o trono do seu coração.
  3. Os ídolos tornam-no “Inútil”: O versículo 15 diz que eles seguiram coisas inúteis (vaidade) e tornaram-se inúteis. Você transforma-se naquilo que adora. Se você venera o sucesso material, ficará frio e vazio. Se venera a vaidade, a sua alma se perderá no vento. Mas se você adora ao Deus Eterno e Santo, a sua vida adquirirá peso de glória e propósito. Escolha quem você vai refletir!

Referências Cruzadas

O choque do exílio e a denúncia profética de 2 Reis Capítulo 17 foram avisados em toda a Bíblia:

Referência BíblicaConexão com 2 Reis Capítulo 17
Levítico 26:33A maldição do exílio, prometida por Deus séculos antes se eles quebrassem a Lei: “E a vós vos espalharei entre as nações, e desembainharei a espada atrás de vós…
Oseias 7:11-12O profeta denuncia exatamente as alianças tolas de Oseias no início deste capítulo: “Efram… chamam o Egito, vão para a Assíria. Quando forem, estenderei sobre eles a minha rede…
Jeremias 2:5O profeta Jeremias resume a futilidade da idolatria do versículo 15: “Andaram após a vaidade, e tornaram-se eles mesmos vaidade?
João 4:9O resultado final do povo introduzido pela Assíria nos tempos de Jesus: “Como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana?
Apocalipse 3:15-16A condenação da religião morna (misturada) dos samaritanos: “Porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca.

Principais Lições do Capítulo

Guarde na mente o diagnóstico da morte de uma nação em 2 Reis Capítulo 17:

  • O Fim da Tolerância: A graça de Deus oferece inúmeras oportunidades através de avisos proféticos. Ignorar persistentemente a voz que nos tenta salvar é o atalho mais rápido para a perdição.
  • O Perigo do Sincretismo: Temer o poder de Deus enquanto se recusa a abandonar as práticas e paixões do mundo não é salvação; é hipocrisia e idolatria mascarada.
  • A Ilusão da Política: O rei Oseias achou que a sabedoria diplomática (aliar-se ao Egito) o salvaria. Alianças humanas que excluem a dependência de Deus falham miseravelmente diante das crises reais.
  • Deus Cumpre a Sua Palavra: As promessas de bênçãos são reais, e as promessas de juízo e exílio também são. A Palavra do Senhor (positiva ou negativa) não volta vazia.

E no Próximo Capítulo

Enquanto as luzes se apagam para o Reino do Norte, uma nova e brilhante esperança surge no Sul (Judá) em 2 Reis Capítulo 18! Prepare-se para conhecer o grande rei Ezequias. Diferente do seu pai malvado (Acaz), Ezequias será um furação de santidade! Ele fará o que nenhum outro rei teve coragem de fazer: vai destruir a serpente de bronze que o próprio Moisés tinha feito, porque o povo tinha começado a adorá-la como um ídolo!

No entanto, o terrível rei da Assíria, Senaqueribe, após destruir Israel, vai virar os seus olhos famintos para Jerusalém! Ele vai cercar a cidade santa e enviar um general arrogante, Rabsaqué, para gritar insultos e ameaças psicológicas nas muralhas. O inimigo vai dizer ao povo de Judá: “Não confiem no vosso Deus! Nenhum deus das outras nações conseguiu escapar das minhas mãos!

Rendei-vos!”. Ezequias ficará desesperado, rasgará as suas roupas e buscará o profeta Isaías. Como é que um rei sozinho vai defender Jerusalém do maior império militar do mundo? Prepare-se para estudar sobre intimidação, fé extrema e livramento espetacular no nosso próximo estudo!

Conteúdo Bônus

FAQ – Perguntas Frequentes

Onde estavam as 10 tribos perdidas de Israel depois da deportação?

Elas foram espalhadas pelo norte do Império Assírio, em áreas que hoje correspondem ao Iraque, Síria e Irã (a região dos medos). Historicamente, eles não mantiveram a sua identidade como os judeus fariam mais tarde na Babilônia. Grande parte deles misturou-se e assimilou as culturas pagãs locais, perdendo a sua identidade nacional israelita, embora profecias futuras falem da restauração de todo o remanescente fiel de Israel nos últimos dias.

Por que o rei Oseias pediu ajuda ao Egito se Deus tinha proibido?

Oseias tentou “jogar o jogo político” do mundo. Ele estava cansado de pagar tributos extorsivos à Assíria. O Egito, como uma potência rival no sul, parecia o aliado perfeito para quebrar a hegemonia assíria. Mas essa foi uma violação direta do aviso profético (como Isaías e Oseias alertavam), que dizia para Israel confiar apenas no Senhor e não fazer alianças políticas corruptas que só trariam ruína.

Deus é cruel por enviar leões para matar os novos habitantes de Samaria?

No contexto da narrativa e da visão de mundo antiga, a terra de Israel era a “herança santa de Yahweh”. A profanação contínua e arrogante dessa terra por estrangeiros idólatras atraiu o juízo direto de Deus sobre eles. Os leões não foram um ato de sadismo divino, mas uma disciplina brutal necessária para forçá-los a reconhecer a santidade e a autoridade absoluta do Deus de Israel naquele território geográfico e teológico.

Quem era a “deusa Aserá” (os bosques)?

Aserá era uma deusa-mãe cananeia da fertilidade. A adoração a ela envolvia postes de madeira (“bosques” ou postes sagrados) plantados nas colinas e, muitas vezes, orgias rituais para garantir colheitas férteis. Ela era vista pelos idólatras como a “consorte” de Baal ou até, de forma blasfema e herética por alguns israelitas, como consorte do próprio Yahweh. Foi o ápice da corrupção moral.

Os samaritanos adoravam ou não a Deus (v. 32-34)?

O texto bíblico faz um jogo teológico brilhante: no sentido de ter “medo de castigo” e participar num ritual mecânico, sim, eles temiam (reconheciam) o Deus local (Yahweh). Mas no sentido de ter “devoção, reverência e obediência exclusiva à Lei de Moisés”, a resposta é não (v. 34: “não temem verdadeiramente”). Uma adoração que não resulta em obediência prática à Palavra não é considerada adoração válida por Deus.

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